Empréstimo Consignado Não Solicitado: É Possível Parar os Descontos e Ter o Dinheiro de Volta?

A fraude no empréstimo consignado tornou-se uma epidemia silenciosa no Brasil , vitimando principalmente aposentados, pensionistas e servidores públicos. O número de reclamações é alarmante, basta pesquisar sobre fraudes em empréstimo consignado, que você consegue visualizar a dimensão do problema.

Para quem descobre um desconto inesperado em sua fonte de renda, a sensação é devastadora. Uma vítima expressou o sentimento de violação e humilhação: “Eu me sinto lesada, me sinto roubada todo mês. Tô sendo roubada, tô gastando uma nota para provar que eu sou eu”.

Se você está passando por isso, a pergunta urgente é: é possível reverter essa situação? A resposta é enfaticamente, sim. É plenamente possível parar os descontos, anular o contrato fraudulento e receber seu dinheiro de volta.

Este guia completo mostrará o caminho exato para a reparação integral do dano, com base na legislação e nas decisões mais recentes da justiça.

Como a Fraude Acontece? Conheça as Táticas dos Golpistas

Para se defender, é crucial entender como os criminosos agem. Eles exploram a engenharia social e as falhas de segurança do sistema financeiro com táticas cada vez mais sofisticadas.

  • Contato e Falsa Oferta: O golpe quase sempre começa com um contato não solicitado, seja por telefone ou WhatsApp. Os fraudadores usam dados pessoais vazados para se passarem por funcionários de bancos e oferecem condições irresistíveis, como juros muito baixos ou liberação imediata de crédito.
  • Golpe da Falsa Portabilidade: Esta é uma fraude mais elaborada. A vítima é abordada com a promessa de transferir sua dívida para outro banco com parcelas menores e, às vezes, até com a liberação de um “troco”. Na realidade, ela é induzida a contratar um novo empréstimo, e o valor é desviado pelos golpistas, resultando em duas dívidas.
  • Empréstimo “Empurrado” ou Não Solicitado: Nesta modalidade, um valor é depositado na conta do consumidor sem qualquer solicitação ou autorização. Logo depois, os descontos mensais começam a aparecer no salário ou benefício , configurando uma prática ilegal que viola diretamente o Código de Defesa do Consumidor.
  • Fraude com Assinatura Digital e Biometria: A tecnologia, que deveria aumentar a segurança, tornou-se uma nova ferramenta para fraudes. Os golpistas conseguem gerar contratos digitais usando assinaturas eletrônicas ou biometria facial obtida de forma fraudulenta. Contudo, o Poder Judiciário está atento e não aceita mais uma simples “selfie” ou assinatura digital como prova absoluta, questionando a fragilidade dos sistemas de verificação dos bancos.

Para mais informações detalhadas fizemos um guia para você que está sofrendo com esta situação. Você pode clicar AQUI e acessar o post que fizemos em: onde, detalha os tipos de fraudes e como os bandidos fazem para enganar as vítimas.

Fui Vítima! O Passo a Passo Imediato para Conter os Danos

Ao descobrir a fraude, agir com rapidez e de forma organizada é sua maior vantagem. Siga este plano de ação para conter o prejuízo e construir um caso sólido.

  1. Contate a Instituição Financeira: A primeira medida é entrar em contato com o banco responsável pelo empréstimo. Utilize os canais oficiais como SAC ou Ouvidoria para contestar o contrato e solicitar o cancelamento.
  2. Anote e guarde todas as informações: número de protocolo, data, horário e nome dos atendentes.
  3. Solicite o contrato Objeto da Fraude: na maiorias dos golpes, a vítima só descobre o golpe após ter descontos em seu benefício/salário, e consequentemente não tem a cópia do contrato. É muito importante ao costatar a fraude, solicitar junto a instituição finaceira, a cópia do referido contrato para analisar o modo como foi realizado. (Isso ajuda em uma eventual ação judicial).
  4. Registre um Boletim de Ocorrência (B.O.): Este é um dos documentos mais importantes. Ele formaliza a fraude como um crime de Estelionato (Art. 171 do Código Penal) e serve como prova robusta para a ação judicial. O registro pode ser feito online, de forma mais rápida, através da Delegacia Virtual do Ministério da Justiça ou do portal da Polícia Civil do seu estado.
  5. Bloqueie seu Benefício no INSS para Empréstimos: Esta é a medida preventiva mais crucial para evitar novos golpes. O INSS permite que o beneficiário bloqueie seu benefício para novas contratações. O procedimento é simples: – Acesse o aplicativo ou portal “Meu INSS” com sua conta Gov.br.; Na barra de pesquisa, digite “Bloqueio/Desbloqueio de Benefício Para Empréstimo”.; Siga as instruções para confirmar o bloqueio, que tem efeito imediato.
  6. Formalize Reclamações Públicas: Registrar uma reclamação na plataforma Consumidor.gov.br é uma ferramenta eficaz. O site, gerenciado pelo governo, permite a comunicação direta com a empresa, que tem um prazo para apresentar resposta, criando um registro público da sua tentativa de solução. Além disso faça reclamações no site Reclame Aqui. isso é um meio de prova eficaz pois informa que você tentou administrativamente resolver o problema.

Seus Direitos na Justiça: Suspensão, Devolução em Dobro e Indenização

Caso você tenha tentado Todas as alternativas administrativas para resolução do problema e à instituição financeira não tenha resolvido, não resta, outra alternativa senão, Ingressar com ação judicial Para fazer valer seus direitos E tentar reduzir os danos.

O que a lei e os Juízes falam sobre este Assunto?

A Responsabilidade é do Banco (Mesmo em Caso de Fraude)

A lei é clara: a responsabilidade pela fraude é da instituição financeira. Conforme a Súmula 297 do STJ, a relação entre cliente e banco é regida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Além disso, a Súmula 479 do STJ estabelece que os bancos respondem objetivamente por danos gerados por fraudes de terceiros, pois isso é considerado um “fortuito interno”, ou seja, um risco inerente à sua atividade empresarial que não pode ser transferido ao consumidor.

Traduzindo, a lei diz que para casos em que há relacionamento entre você (cliente) e o banco, o Código de Defesa do Consumidor é quem vai ditar às regras Para a responsabilização do banco. Determinando uma série de direitos e deveres do banco para este tipo de situação, vejamos:

Direito 1: Suspensão Imediata dos Descontos (Liminar)

É possível pedir ao juiz uma tutela de urgência (liminar) para que os descontos parem imediatamente. Essa medida é concedida quando se demonstra o “perigo na demora” (periculum in mora), que é inquestionável, pois os descontos comprometem verbas de caráter alimentar (salário, aposentadoria), afetando a subsistência da vítima.

Direito 2: Devolução dos Valores em Dobro

Você tem o direito de reaver cada centavo descontado indevidamente. Mais do que isso, o artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor prevê a devolução em dobro. O STJ já pacificou o entendimento de que a restituição dobrada é a regra e independe da prova de má-fé do banco, bastando que a cobrança seja indevida.

Direito 3: Indenização por Danos Morais

O sofrimento causado pela fraude também deve ser reparado. A justiça frequentemente reconhece o dano moral como presumido (in re ipsa) nesses casos, pois o desconto em verba alimentar, por si só, já causa angústia e fere a dignidade, não é necessário comprovar que você teve algum dano moral. Os valores de indenização variam, mas decisões recentes nos tribunais do Nordeste têm fixado montantes entre R$ 3.000,00 e R$ 10.000,00

Prevenção é o Melhor Remédio: Como se Proteger

Embora a culpa não seja sua, a prevenção é sua maior arma de defesa.

  • Desconfie de Ofertas Milagrosas: Condições muito vantajosas e promessas de liberação fácil são, geralmente, iscas para golpes.
  • Nunca Faça Pagamentos Adiantados: Instituições financeiras sérias não cobram taxas antecipadas para liberar um empréstimo. Se isso for solicitado, é fraude.
  • Proteja Seus Dados Pessoais: Jamais forneça senhas, tokens ou dados do seu cartão por telefone ou aplicativos de mensagem.
  • Use a Ferramenta Definitiva: O Bloqueio do Benefício: A medida mais eficaz, recomendada pelo próprio INSS, é manter seu benefício permanentemente bloqueado para empréstimos. O desbloqueio deve ser feito por você, de forma consciente e temporária, apenas quando for realizar uma contratação legítima.

Conclusão

A jornada de uma vítima de empréstimo consignado fraudulento é angustiante, mas o ordenamento jurídico brasileiro oferece um arsenal eficaz para combater essa prática. Sim, é possível parar os descontos, reaver os valores em dobro e ser indenizado pelos danos sofridos.

A complexidade das fraudes digitais e as nuances da lei tornam o auxílio de um advogado especialista uma necessidade para garantir uma defesa técnica e estratégica.

Se você está passando por essa situação aflitiva, saiba que não está sozinho e que a lei está ao seu lado. A defesa do seu direito e da sua dignidade é não apenas possível, mas imprescindível.

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Sobre o Autor:

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Wellington Monte

Dr. Wellington é o Sócio Monte & Medeiros Advocacia, com ampla atuação em Direito Bancário. Com vasta experiência na defesa dos direitos de cidadãos e empresas contra práticas abusivas, sua missão é traduzir o complexo universo bancário em soluções jurídicas eficazes e resultados concretos. Ele acredita que ninguém deve se sentir em desvantagem na relação com o banco.
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Dr. Wellington é o Sócio Monte & Medeiros Advocacia, com ampla atuação em Direito Bancário. Com vasta experiência na defesa dos direitos de cidadãos e empresas contra práticas abusivas, sua missão é traduzir o complexo universo bancário em soluções jurídicas eficazes e resultados concretos. Ele acredita que ninguém deve se sentir em desvantagem na relação com o banco.